quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Olhando para o mar...


Sentada na praia, sobre as areias do tempo... Posso dizer que vi o agito do verde mar. Em um primeiro instante matreiro e insinuante, apenas para depois se mostrar instigante e sedutor. Diante de tamanho fascínio que senti frente a toda aquela imensidão, não pude evitar levantar e seguir em sua direção. O mar me acolheu calorosamente, fazendo com que eu, incauta, aprofundasse-me em seu mistério e delírio. Suas águas mornas eram sedentas de paixão e me acariciavam com lascívia. Encantava-me cada toque e a sensação de plenitude apenas por estar em meio àquelas águas.
Não pude perceber que tinha ultrapassado o ponto racional de segurança. Mas que mal poderia haver? O mar era tão... tão... deslumbrante! No entanto, logo descobri que o mar também podia ser cruel com suas ondas impiedosas a tentar me afogar. O que era sonho transformou-se em pesadelo. Eu nadava e nadava, tentando sem aparente sucesso me livrar de suas águas traiçoeiras. Buscava me livrar a todo custo da profundidade que tentava me tragar para um caminho sem volta.
Após o que me pareceram meses de esforço em braçadas, consegui com grande alívio alcançar a praia. Aquela areia nunca havia me parecido tão macia e confortável. Respirei profundamente aquele precioso oxigênio. Hoje, quando me sento na praia para ver o mar não mais me deixo enganar. O seu verde é belo, mas traz lembranças de momentos e pensamentos precipitados. Hoje, eu posso levantar e partir, sem olhar para trás.

"Nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos." - Heráclito de Éfeso

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