sábado, 10 de julho de 2010

Despertar de um sonho


Acordou assustada com o ruído do despertador do celular. Por um instante sentiu-se confusa e demorou um pouco para se dar conta de que se encontrava em seu quarto, na sua cama. Após uma rápida olhada no visor do celular, descobriu ser 10h30min. Automaticamente desligou o aparelho, desativando o despertador. Afinal, estava de férias ou não? Colocou a cabeça de volta no travesseiro e voltou a cerrar os olhos. Com o que estivera sonhando mesmo? Ah sim, não pôde deixar de sorrir. Estava acostumada a ter sonhos vívidos e simultaneamente sem noção, o tipo de sonho que por mais absurdo que parecesse ainda assim tinha um quê de realidade. E aquele havia sido um sonho desse tipo, daquele em que se tem dificuldades para reconhecer que de fato foi um sonho e não um acontecimento nos primeiros segundos após abrir os olhos.
Buscou concentração, repassando o sonho mentalmente. Como começava mesmo? Era preciso certo esforço para visualizar os detalhes em sua mente, mas estava conseguindo. Primeiro havia começado em uma piscina. A piscina da escola onde estudara por muitos anos. No entanto, estava diferente. Surpreendentemente mais funda... No entanto, surpreendente era lugar comum em seus sonhos. Surpresa seria se algo ordinário acontecesse. Olhava em volta. Havia pessoas ao redor, mas fora da piscina e nenhuma delas era nítida. Não reconhecia ninguém, apenas estranhos borrões coloridos que sabia serem pessoas. Subitamente começou a ter dificuldades para se manter sobre a superfície da água, o nível parecia estar aumentando... Não entrou em pânico, parecia saber que sairia daquela, que ainda não era chegada a sua hora. E eis que como um passe de mágica ela conseguiu visualizar uma pessoa. A pessoa estava com um calção azul-marinho e uma toalha pendurada no pescoço. Ela o conhecia, era um amigo seu. Como um passe de mágica, no segundo seguinte estava ao lado dele. O rapaz a abraçara por cima do ombro, de lado, como que a passar algum tipo de apoio e os dois saíram andando. Para onde, ela não sabia. Entretanto não tardou a descobrir. Entrou no escritório de seu pai e... Como assim estava havendo uma festa de grandes proporções lá dentro??? Seu amigo simplesmente a deixou na parede que ficava de frente para a porta e desapareceu de seu campo de visão. Por um momento sentiu-se perdida. Pensando que escritório e festa não se harmonizavam numa mesma frase. Estava em uma roda de pessoas que não conhecia. Não estava com vontade de falar com elas, o que não era comum. No geral, ela era uma pessoa aberta a conhecer outras. Mas não naquela ocasião. Não sentia que pertencia aquele lugar. Saiu da roda, intencionando dirigir-se para a saída. Deu uma última olhada no local e então o viu... Estacou à visão de alguém que ela ainda não havia reparado no recinto, o seu não-exatamente-amigo sentado sozinho no sofá vermelho e a encarando de volta. Virou-se novamente e começou a andar para a saída. Havia acabado de passar pela porta quando alguém a segurou pelo braço. Automaticamente ela se virou e se deparou com aquele par de olhos azuis que havia vislumbrado segundos atrás. Indagou-se internamente, tentando descobrir quais eram as intenções dele com aquilo. Não eram amigos, tampouco inimigos. Uma definição melhor seria conhecidos que se cumprimentavam quando se viam. Uma definição melhor ainda seria que ele era o conhecido que ela cumprimentava e com quem já tinha trocado saliva por duas vezes. Sabia o nome dele, obviamente e várias coisas mais que isso, mas não vinha exatamente ao caso. O que vinha ao caso era a curiosidade de saber o que aquele seu conhecido loiro queria consigo assim do nada. Ela ofereceu-lhe um pequeno sorriso à guisa de cumprimento, o qual ele aceitou e retribuiu. No instante seguinte ele se ajoelhou, como um homem faz quando vai pedir a mulher amada em casamento. Mas ela não pensava nessa possibilidade. Ele não seria louco o suficiente de pedi-la em casamento após ficarem por apenas duas vezes em um largo espaço de tempo. E nem ela queria que ele fosse louco desse jeito. Ela não o amava. Não, mas também não estava certa do que sentia por ele. Sem definições era mais prático lidar com o assunto. Apenas admitia que havia atração mútua. Claramente, deveria haver uma explicação plausível para o que ele estava fazendo. Ele havia murmurado algo, mas como estava perdida em pensamentos teve que pedir para que ele repetisse. "Fiz uma música para você com o seu nome." Ela sorriu, meio que desacreditando "Não existem muitas músicas com o meu nome." O que queria dizer mesmo é que não sabia da existência de nenhuma música que tivesse seu nome. Ele elucidou, explicando que ele mesmo havia feito a música e então cantou um pedaço. Ela sorriu mais ainda e o interrompeu "Adoro músicas com o meu nome." foi o que disse, em tom confessional. Em seguida abaixou-se, visto que ele ainda se encontrava com um joelho no chão. Seus rostos ficaram próximos e os dois se encararam. Os lábios ensaiando se tocar e quando ocorreu, ele se levantou, ainda a beijando. O beijo era calmo, como se eles tivessem todo o tempo do mundo. Certo tempo depois ele parou o beijo e puxou-a pelo corredor. Pararam perto da porta que dava para a sala de jantar. Coincidentemente o primeiro beijo dela havia sido naquele lugar. Havia uma cadeira ali. Ele sentou-se e estendeu uma mão, a qual ela aceitou. Ele então puxou-a para sentar-se sobre seu colo, de frente para ele. Ela acariciou o rosto dele brevemente antes que se beijassem mais uma vez. O beijo agora se tornara mais ávido. Lábios famintos, línguas lascivas em uma dança sincronizada, mãos a passearem pelo corpo alheio, em busca da pele ocultada pelo tecido das vestes. Visivelmente as coisas estavam esquentando e... Ela acordara assustada pelo barulho do despertador do celular!!!